O futebol do Vasco teve ascensão mais rápida do que o previsto: ganhou o campeonato da Terceira Divisão em 1916 e o da Segunda Divisão em 1920. Foi promovido à Série B da Primeira Divisão em 1921 e conquistou a categoria em 1922, ao golear o Carioca por 8 a 3, ganhando a Taça Constantino e o direito de figurar entre os grandes no ano seguinte.
Mas o torcedor só passou a prestar atenção no Vasco durante o Campeonato Carioca de 1923, quando o time, formado por mulatos e negros, começou a derrubar todos os seus adversários. O Vasco arrebanhava seus jogadores em terrenos baldios de subúrbio, entregando-os aos cuidados do técnico uruguaio Ramon Platero, que os submetia a um ritmo alucinante de treinamentos. Eles corriam diariamente do pequeno campo do clube, à Rua Moraes e Silva, na Quinta da Boa Vista, à Praça Barão de Drummond, em Vila Isabel.
A técnica do time era praticamente infalível: levava o primeiro tempo em ritmo lento e, graças ao invejável preparo físico, voltava arrasador para a etapa final. As 11 vitórias obtidas no Carioca de 1923 foram todas alcançadas nos períodos derradeiros. A primeira equipe campeã da história do Vasco formava com Nélson, Leitão e Mingote; Nicolino, Claudionor e Artur; Paschoal, Torterolli, Arlindo, Cecy e Negrito. Nélson, Claudionor, Torterolli e Cecy foram os primeiros negros da história a conquistarem o título carioca.

