Em outubro de 1996, o técnico Antônio Lopes foi contratado e recebeu carta branca. Nessa sua quarta passagem por São Januário _ esteve por lá de 1981 a 1983, de 1985 a 1986 e em 1991 _, promoveu juniores como Felipe e Pedrinho. Logo depois, ganhou Mauro Galvão, Juninho, Ramon e Edmundo, que voltava ao clube, após temporadas frustradas no Flamengo e no Corinthians.
O trabalho de Lopes começou a dar frutos no Brasileiro de 1997, quando o Vasco realizou grande campanha e foi campeão. Isso fora o gostinho especial de ter eliminado o Flamengo nas semifinais, com uma inesquecível vitória de 4 x 1. Edmundo arrasou: fez 29 gols, tornando-se o maior artilheiro em um só Brasileiro, superando a marca de 28 gols de Reinaldo (Atlético-MG), em 1977. Ele ainda estabeleceu outro recorde, ao marcar seis tentos em uma só partida _ nos 6 x 0 sobre o União São João _, marca que jamais havia sido alcançada no campeonato.
Em 1998, o Vasco comemorou seu 100º aniversário celebrando contrato de parceria com o norte-americano Nations Bank, representado no Brasil pelo Banco Liberal. Para que o dinheiro das duas instituições financeiras fosse investido no clube, foi montada a empresa Vasco Licenciamentos S. A., que tem a função de administrar a marca Vasco e de escolher patrocinadores. O acordo foi assinado em 10 de abril. Com o título brasileiro de 1997, o Vasco foi à Libertadores em 1998 e conquistou a maior glória internacional de sua história. Na final, tornou-se campeão diante do equatoriano Barcelona. Para um time que comemorava o seu centenário, o título foi um presente inesquecível para os vascaínos. Faltava ainda ser reconhecido como o melhor time do mundo, sonho que a torcida alimentava a cada dia.
Ainda em 1998, o Vasco voltou a recuperar o Estadual. Em 1999, ganhou o Torneio Rio-São Paulo, derrotando duas vezes o Santos, por 3 x 1 e 2 x 1. Na semifinal, havia eliminado o São Paulo num jogo emocionante em pleno Morumbi (vitória do Vasco por 3 x 1).
Mas o que faltou mesmo para o time de Antônio Lopes foi o título mundial. O clube teve duas oportunidades: a primeira diante do Real Madrid, em Tóquio, em dezembro de 1998. Apesar da boa atuação do time e de um belo gol do jovem Juninho, o astro espanhol Raúl estragou a festa fazendo 2 x 1.
No Mundial da Fifa, em janeiro de 2000, o time de Antônio Lopes teve outra oportunidade de chegar ao topo. Detonou o tão badalado Manchester United, da Inglaterra, (3 x 1), inclusive com um maravilhoso gol de Edmundo, que deixou a defesa inglesa completamente tonta. Mas na final, contra o Corinthians, no Maracanã, as coisas não saíram como o previsto. Depois de um tenso 0 x 0, o título teve de ser disputado nos pênaltis. O Corinthians acabou vitorioso, e a imagem do Vasco naquela noite foi a do choro de Edmundo depois de perder a sua cobrança. O ano 2000 viu o clube com Abel no lugar de Antônio Lopes e a volta do ídolo Romário, depois de sua briga com a diretoria do Flamengo. A perspectiva de ele dividir o ataque com Edmundo, além da presença de Viola no banco, só poderia deixar a torcida animada. O time continuou forte, mas os dois maiores ídolos retomaram as suas brigas. Implacáveis dentro de campo, fora dele começaram a trocar farpas, deixando o clima tenso em São Januário. Numa provocação, Edmundo disse que o diretor Eurico Miranda era o rei do clube e que Romário era o príncipe. Romário deu o troco dizendo que na corte vascaína Edmundo era então o bobo. Eurico acabou com a polêmica proibindo os jogadores de falar e a imprensa de perguntar sobre o assunto. De qualquer maneira, os dois atacantes continuaram fazendo um gol atrás do outro, o que é o mais importante para qualquer time. O domínio do futebol mundial foi adiado. A galera continua sonhando com o título de campeão do mundo, mas mesmo sem ele sabe que os 102 anos de vida do Vasco compõem a história de um clube vitorioso.

